4/10/09
O BERÇO DA CULPA-3
Essa preocupação com a educação dos fiéis apareceu, sobretudo no quarto Concílio de Latrão, em 1214. Ao estabelecer a prática da confissão anual para todos os cristãos, o texto definido pela assembléia declarava que “todos os fiéis de ambos os sexos, depois de ter chegado à idade da discrição, confessarão todos os seus pecados pelo menos uma vez por ano ao seu próprio padre e cumprirão com o melhor de sua capacidade a penitência imposta”, acrescentando que esse “saudável decreto” fosse divulgado freqüentemente nas igrejas, de modo que “ninguém possa achar na alegação de ignorância uma sombra de desculpa”. Mais parece nossa Constituição. Com isso, os sete pecados capitais tornaram-se tema rotineiro dos catecismos da época.
Mesmo com o avanço do laicismo registrado nos últimos séculos, os sete pecados capitais continuam sendo um tema constante nas igrejas, na literatura e nas artes. Um dos filmes mais bem-sucedidos (e assustadores) da última década, por exemplo, foi Se7en, de David Fincher, no qual dois policiais (interpretados por Morgan Freeman e Brad Pitt) perseguem um assassino serial que pauta seus crimes segundo a lista dos principais pecados cristãos.

Embora o assunto não atraia muita atenção no mundo acadêmico, alguns estudiosos têm buscado abordá-lo a partir da perspectiva de outros campos, como o clínico. O psiquiatra americano Karl Menninger propôs em 1973 que o conceito de pecado fosse incorporado ao trabalho de psicanalistas e de outros profissionais da saúde mental. Ele sugeriu inclusive que a lista de pecados fosse aumentada, - viva, quanto mais, melhor! - com o acréscimo de itens como a crueldade.


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