23/9/09
O BERÇO DA CULPA-2
Outro escritor do século 4, o poeta Prudêncio, inspirou boa parte das obras de arte produzidas a respeito dos sete pecados capitais com a sua descrição das batalhas entre os vícios e as virtudes no texto Psychomachia.[1] No mesmo trabalho, ele indicou uma lista de virtudes opostas, cuja prática ofereceria alguma proteção contra os pecados. Segundo ele, o orgulho (superbia) seria superado pela humildade; a avareza (avaritia), pela generosidade; a inveja (invidia), pela bondade; a gula (gula), pela temperança; a luxúria (luxuria), pela castidade; a raiva (ira), pela paciência; e a preguiça (accidia), pela diligência.
A igreja dividiu todos os pecados em duas categorias. Os mais simples, ou veniais, podem ser perdoados sem a necessidade de confissão. Já os mais graves merecem a danação(!). Os sete pecados capitais receberam essa denominação porque produzem outros pecados, outros vícios, tendo um efeito potencialmente letal no que se refere á saúde espiritual da pessoa. Atentemos aqui de onde surgem os agregados, os elementos densos.
Se essas transgressões representavam tamanho risco para o fiel, seria até desejável, segundo o ponto de vista de alguns religiosos, que o assunto fosse tratado como tabu. Mas ele ganhou certa publicidade dos próprios meios eclesiásticos, pois a opinião que prevaleceu defendia que nenhum indivíduo cometeria esses pecados sem perceber sua gravidade, e que, portanto, eles estariam capacitados a confessar tais atos e receber a absolvição.
[1] As Sete Virtudes são derivadas do épico Psychomachia, poema escrito por Aurelius Clemens Prudentius intitulando a batalha das boas virtudes e vícios malignos.

criado por Kheóps
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