4/11/08
OS CONCÍLIOS ECUMÊNICOS - 2
O primeiro Concílio Eclesiástico da história teve lugar na Igreja Apostólica para fixar as condições sob as quais os gentios, ou seja, os convertidos que não eram da fé judaica, poderiam pertencer à igreja (Atos 15). Desde aquele tempo, e durante toda a história da igreja, os Concílios foram convocados levando-se em conta todos os níveis da vida da igreja, para se tomar decisões importantes. Os Bispos se reuniam regularmente com seus sacerdotes (presbíteros) e com os leigos, estabelecendo-se assim a prática e inclusive a lei, desde muito cedo na história da igreja, que os Bispos de diferentes regiões deveriam reunir-se em concílios regularmente.
Em várias ocasiões, ao longo da história, foram convocados concílios de todos os Bispos da igreja. Na prática nem todos os Bispos puderam assistir a estes concílios e nem todos os concílios foram automaticamente aceitos e aprovados pela igreja na sua “Santa Tradição”. Na Igreja Ortodoxa somente sete Concílios (alguns dos quais foram bastante reduzidos quanto ao número de Bispos assistentes) receberam aprovação universal de toda a igreja. Chamam-se estes, os Sete Concílios Ecumênicos:

1) - Nicéia, em 325, formulou a primeira parte do Credo (profissão de Fé) e definiu a divindade do Filho de Deus.
2) - Constantinopla I, em 381, formulou a segunda parte do Credo (profissão de Fé) e definiu a divindade do Espírito Santo, a natureza de Cristo e o arianismo.
3) - Éfeso, em 431. Reunião de líderes cristãos que se desenrolou, em cinco sessões, entre 22 de Junho e 31 de Julho de 431 na cidade de Éfeso. Foi convocado pelo Papa Celestino I e teve como resultados a condenação da heresia cristológica e mariológica de Nestório e a proclamação da maternidade divina de Maria. Definiu a Cristo como o Verbo Encarnado de Deus e a Maria como Mãe de Deus (Theotócos).
4) - Calcedônia, em 451, foi um concílio ecumênico realizado entre 8 de Outubro e 1 de Novembro de 451 em Calcedônia, uma cidade da Bitínia, na Ásia Menor. Foi o quarto dos primeiros sete Concílios da história do cristianismo, onde foi repudiada a doutrina de Eutiques do monofisismo e declarando a dualidade humana e divina de Jesus, a segunda pessoa da Santíssima Trindade. Foi a seguir a este concílio que aconteceu o cisma entre o Catolicismo e a Ortodoxia Oriental e deu origem à Igreja Copta. Definiu a Cristo como verdadeiramente Deus e verdadeiramente Homem (duas naturezas perfeitas) em uma só Pessoa.
5) - Constantinopla II, em 553. As obras de três teólogos nestorianos ou seminestorianos, Teodoro de Mopsuéstia, Teodoreto de Ciro e Ibas de Edessa, tinham sido resumidas como os "três capítulos" e aprovadas em Calcedônia. Mas os monofisistas pressionaram o Imperador Justiniano através de sua mulher Teodora, conseguindo que ele condenasse os "três capítulos" por um edito em 543. O Papa Virgílio foi persuadido, ou intimidado, a confirmar essa condenação, mas a opinião surgida no Ocidente o levou a solicitar a convocação de um concílio ecumênico, que se reuniu em Constantinopla e condenou os "capítulos". Assim, "o Oriente foi reconciliado à custa do Ocidente" (O que prova que houve uma intensa participação do papa nesse Concílio). Reafirmou a doutrina sobre a Santíssima Trindade e sobre o Cristo.
6) - Constantinopla III, em 680 ou 681. “Heresia” surgida na Igreja do Oriente quando a teologia cristológica ainda estava mal definida. Opondo-se ao Nestorianismo, Eutiques, arquimandrita dum mosteiro de Constantinopla, defendeu que, havendo uma só pessoa em J. C., também devia haver uma só natureza, admitindo que a humana fora absorvida pela divina. A discussão foi turbulenta e a questão só foi definitivamente resolvida no Concílio de Calcedônia (451), que definiu haver em J. C. duas naturezas, a divina e a humana, subsistindo na única pessoa divina do Verbo encarnado. Esta definição não convenceu diversas comunidades, que continuaram a aderir algumas até hoje. Tempos depois, o patriarca Sérgio de Constantinopla, na boa intenção de congraçar os monofisistas, proclamou que em J. C., embora havendo duas naturezas, só havia uma vontade, pela identificação perfeita da vontade humana com a vontade divina, o que ficou conhecido na história das heresias por Monotelismo. Mais que heresia, tratava-se de afirmação equívoca, porquanto da identificação do querer de Jesus com o querer divino é compatível com a existência nele de duas vontades ontologicamente distintas. A questão ficou esclarecida no III Concílio de Constantinopla (681). Afirmou a verdadeira humanidade de Jesus Cristo insistindo na realidade de sua vontade e ação humanas.
7) - Nicéia II, em 787. Veneração de imagens é tópico de seculares discussões nos meios religiosos cristãos. O Segundo Concílio de Nicéia, realizado em 787, declarou a legitimidade do que é chamado pelos atuais protestantes e evangélicos como veneração de imagens definindo que, segundo o ensino dos Padres da igreja e segundo a tradição universal da igreja cristã, se podiam propor à veneração dos fiéis, conjuntamente com a Cruz, as imagens da Mãe de Deus, dos Anjos e dos Santos, tanto nas igrejas como nas casas ou ao longo dos caminhos. Afirmou a veneração dos ícones como expressões verdadeiras da fé cristã.
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